Caminheiros da Gardunha, a caminhar desde 1997 por diferentes percursos mas sempre com o mesmo sentido - o interesse pela Natureza e a defesa da Serra da Gardunha.                 

Na XIV edição da Mostra de Artes e Sabores da Maúnça


Deixando a Serra da Gardunha (mas mantendo-a à vista sempre que possível), fomos no último Domingo até à acolhedora aldeia do Açor, na Serra da Maúnça, onde decorreu a XIV Mostra de Artes e Sabores da Maúnça. O percurso de 6,5km iniciou-se na aldeia da Enxabarda, por entre casarios de xisto, passando depois por uma paisagem onde as encostas de pinhal, entre-cortadas por terrenos delimitados por muros em xisto, foram a pouco e pouco dando lugar a castanheiros. À chegada esperavam-nos deliciosas iguarias que nos ajudaram a recuperar forças.



Um dos momentos de pausa que não o foram. À medida que os caminheiros iam chegando, o cansaço desaparecia perante a visão das castanhas ali à mão de... apanhar. 


A chegada ao Açor com uma belíssima paisagem que se estende a perder de vista.

A foto da praxe, junto a um dos belíssimos recantos da aldeia.



À chegada, fomos surpreendidos pelos bombos do Rancho Folclórico do Souto da Casa, um comité de recepção de altíssimo nível! Voltaram a brindar-nos com a sua animação à hora do almoço, enquanto nos deliciávamos com algumas iguarias servidas pela Tasca do Ribeiro.


Açor, sinónimo de hospitalidade

Esta festa anual destaca-se pela forma como os habitantes da aldeia do Açor se esforçam, ano após ano, para a manterem genuína, fiel ao seu conceito original de festival de comida típica num ambiente acolhedor, quase familiar. Há regras de ouro: os produtos têm que ser caseiros, a castanha tem que estar presente em cada tasquinha, seja na forma original, de doces ou -claro está!- na forma líquida e os visitantes têm de deixar o Açor satisfeitos e com vontade de regressar. 

Este é também um evento de reencontro dos filhos do Açor já que muitos aproveitam a oportunidade para percorrerem os caminhos da emigração em sentido inverso, vindo também dar o seu contributo para que tudo corra bem.



Este ano os Caminheiros da Gardunha tiveram o seu próprio espaço durante o evento.


Uma novidade! Os porta-chaves e pregadeiras em forma de castanha, fruto do trabalho conjunto da Isabel, da Débora, da Ana e da Cristina, que muitos fizeram questão de levar para casa.


Os magustos tradicionais são momentos-chave da festa. À sua volta partilham-se as castanhas, que o calor faz saltitar de mão para mão, e uma belíssima jeropiga. 

Quando tudo chega ao fim, fica inevitavelmente uma sensação de nostalgia mas também a certeza de que é tempo de recomeçar a contar os dias até à próxima Mostra de Artes e Sabores. Um sentimento que as palavras do nosso Diamantino traduzem na perfeição:

"Voltou o sossego, a calma, que a chuva miudinha ajuda a sentir. O Açor cala o frenesim de dois dias e outros mais, para quem produziu e fez os tesouros gastronómicos que foram servidos nos dias da Mostra de Artes Sabores da Maunça. Alguns dos seus aqui vieram, só para participar com o seu trabalho e alegria. Uma tradição que não se mede pelos milhares de visitantes mas sim pela qualidade do que se compra e saboreia. Visitante que conhece já, e trata as pessoas pelo nome, num convívio fraterno, único pelos motivos que em tudo transforma a aldeia plantada na Maunça, da qual se orgulham e tanto sabe receber. 

Aqui se vem para repetir sensações e sabores, outros recordam e visitam familiares por isso também é a festa da fraternidade. Quando voltarem dias melhores e quando voltar alguma da justiça social que nos roubam, a festa crescerá: mais alegria, mais, e mais gente…."


Agradecimentos

Como o impõem a gratidão e a mais elementar justiça, os Caminheiros da Gardunha agradecem a todos os que contribuíram para a realização da caminhada e ainda para a nossa presença permanente nos dois dias da Mostra de Artes e Sabores da Maúnça. São eles: a Associação Recreativa e Cultural do Rancho Folclórico "Pastores do Açor", a Junta de Freguesia do Castelejo, o Sr. Joaquim, o inexcedível pessoal da Casa da Avó e da Tasca do Ribeiro e ainda o Sr. Alberto Guedes, da Câmara Municipal do Fundão. Por um último, um agradecimento especial à população do Açor pela hospitalidade com que nos acolheu.

3 comentários:

  1. Belíssima festa e com uma paisagem linda !

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    1. Sem dúvida! É impossível ir ao Açor e não ficar com vontade de regressar. :)

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